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Destaques

Valter Koiti Saito

Brasileiro vence 'Nodojiman' 16/03/11 (10:41)  

 

A alegria de vencer o mais tradicional e concorrido concurso de calouros do Japão, o Nodojiman, da rede estatal NHK, foi tomada por susto e preocupação com o grande terremoto.

Valter Koiti Saito, 39 anos e há 20 no Japão, guarda o troféu de campeão enquanto diz ao São Paulo Shimbun, por e-mail, o susto que levou com o tremor, algo que nunca havia sentido. "Estamos todos assustados, pois é a primeira vez que sentimos tal tremor. Trabalho no centro de Tóquio, onde há vários edifícios (40 andares). Todos ficamos com muito medo, pois o chão e os edifícios faziam movimentos como maria mole (não sei como expressar uma sensação estranha). Os meios de transporte, trem e metrô, todos ficaram paralisados e (na sexta-feira) fui embora para casa caminhando 20km/4h. Continuamos sentindo vários tremores", relatou.

Bancário e sem pretensão de largar a profissão para se dedicar ao canto profissional, o nikkei vê o mundo artístico "como uma onda", que pode ser grande como um tsunami, média ou pequena. "De repente é uma onda (chance) e que com o tempo vai ficando pequena. Acho que cada cantor tem suas metas, sonhos, e batalham atras delas."

Intérprete da música japonesa desde os 7 anos, quando conheceu "(não pessoalmente) o Joe (Hirata, primeiro brasileiro a vencer o Nodojiman) nos concursos de categoria infantil", Valter Saito participou de vários concursos de karaokê no Brasil, no "Brasileirão", sem nunca ter vencido. Já no Japão, inscreveu-se no Nodojiman em 1995, recebendo o prêmio de campeão da semana na região de Saitama. "Mas não consegui participar da grande final. Acho que não era o momento certo e que Deus tinha traçado este destino para o dia de hoje. Esta vitória ficará para sempre em meu coração. Primeiramente não esperava o grande prêmio e desde pequeno tive o sonho de algum dia poder cantar na NHK", contou.

Único estrangeiro a competir em um grupo de nativos "de nível (de canto) muito alto", Saito apostou na balada romântica Hana no Toki Ai no Toki, cujo refrão diz "posso te encontrar a qualquer momento, quero te encontrar o mais rápido possível".

"Escolhi esta música para dedicar a minha avó (95 anos) que mora em Londrina e que sempre me apoiava nos concursos", disse ele, que chamou os pais para assistirem a final "para terem uma recordação". "Realizei o meu grande sonho!", finalizou.

 

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