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Vasco de Jesus Rodrigues 01/08/2005
(11) 5524 8344
O Grupo Sansey - Cultural e Beneficente de Londrina conquistou o título
máximo, o GRANDE PRÊMIO do 3ª Festival Yosakoi Soran, maior festival de dança
contemporânea japonesa fora do Japão. Reunindo mais de 1000 dançarinos no
Teatro
Via Funchal, em São Paulo, o Festival aconteceu neste domingo, 31 de julho.
Pelo terceiro ano consecutivo, o festival de dança japonesa une tradição e
modernidade, com apresentações de cerca de 18 grupos, oriundos de São Paulo,
Bastos, Biritiba Mirim, Campinas, Mirandópolis (SP), Curitiba, Londrina e
Castro
(PR).
O Festival é realizado pela Associação Yosakoi Soran Brasil, com apoio da
Rede SOHO de Cabeleireiros e da Wella. Com a participação da comunidade, o
evento
gratuito, a exemplo do ocorrido no ano passado, quando foram distribuídas 3
toneladas de alimentos arrecadou toneladas de alimentos não-perecíveis para
associações e entidades assistenciais (Assistência Social Dom José Gaspar
(Ikoi-No-Sono), Igreja Batista da Liberdade, Lares (Legião de Assistência
para
Reabilitação de Excepcionais), Casa José Coutro, Kodomo-No-Sono e Casa da
Esperança
(Kibo-No-Ie).
O que é o YOSAKOI SORAN
Um espetáculo de cores e movimentos que contagia com o ritmo
vibrante de dois estilos musicais regionais do Japão. Assim é o Yosakoi
Soran, uma
dança nascida da fusão do Yosakoi bushi e do Soran bushi. que firmou raízes
no folclore japonês. Adotado como celebração e agradecimento pelos bons
resultados da colheita e da pescaria, o Yosakoi Soran foi redescoberto no
Japão há
cerca de uma década, transformando-se em um Festival Nacional que atrai
centenas
de milhares de participantes e milhões de torcedores. Ele acontece
anualmente, durante o verão japonês, e tem características do Carnaval
brasileiro: os
grupos apresentam-se ao ar livre, pelas ruas, como se fossem blocos
coloridos de
uma escola de samba.
Em São Paulo, a primeira edição do Festival ocorreu em 2003, com a
participação de 12 grupos, formados por escolas, associações e entidades
ligadas à
cultura da colônia japonesa, vindos de diversas partes do Brasil. A
iniciativa
partiu de Hideaki Iijima, o fundador do SOHO, e contou com o apoio de
diversas
entidades japonesas. Em 2004, a segunda edição do Festival reuniu no Ginásio
do Ibirapuera 21 grupos, com um total de 700 participantes, aplaudidos por um
público de 4 mil pessoas.
O que é o GRUPO SANSEY
O Grupo Sansey Cultural e Beneficente de Londrina é uma pessoa jurídica de
direito privado e sem fins lucrativos. Declarado de Utilidade Pública pela
Prefeitura Municipal de Londrina e pelo Governo do Estado do Paraná, o
Grupo Sansey
foi formado com o objetivo de preservar e divulgar a cultura japonesa,
através da música cantada em seus diversos estilos (folclórico,
clássico-infantil e
popular).
A música é levada ao público em forma de apresentações, festivais e concursos
oficiais. Participam das promoções cerca de 75 cantores amadores, com idade a
partir de 13 anos. Porém, a sua maioria é constituída por jovens de 15 a 25
anos. Desde a época que foi formado, em 1988, o grupo tem se apresentado em
Londrina e em várias regiões do Paraná e Sul de São Paulo, sempre com um
público
estimado de 500 pessoas em cada apresentação. Além do aspecto cultural, o
grupo se preocupa com a formação moral e social de seus jovens integrantes,
realizando apresentações em asilos, creches e escola para excepcionais.
IMPORTÂNCIA do GRANDE PRÊMIO do FESTIVAL
Cenário de uma competição cultural histórica, o teatro estava repleto, o
transito à sua volta, um verdadeiro inferno, apesar de ser domingo. Lá
dentro,
as torcidas apoiavam esse e aquele grupo durante toda a competição.
Todos os grupos estavam bonitos, alegres e seus componentes demonstravam
grande alegria e emoção em ali estar, perante aquela platéia enorme de
familiares, amigos e amantes da arte. Curiosamente, a torcida de Londrina
havia se
instalado justamente à frente do palco, local preferido pelos jornalistas, e,
durante a apresentação do Grupo Sansey a vibração foi realmente diferente,
especialmente para mim, ex-professor de uma das melhores universidades do
país, a
UEL. Foi emocionante ver e ouvir aquelas vozes e corpos deslizando no ar.
Após
um sem número de fotos, não me contive e, convicto, confidenciei ao grupo de
Londrina que até aquele momento o Grupo Sansey havia sido o melhor de todos.
O Grupo Sansey já havia se apresentado no Matsuri em Londrina, mas,
segundo Mirian Tsuchya, aluna do 4.0 ano de Ciências Biológicas da UEL,
essa foi a
primeira participação do Grupo Sansey no Festival Yosakoi Soran em São Paulo.
Ao final, a decepção: o júri, formado por autoridades do mundo da moda, arte,
arquitetura e comunicações, nem sequer havia mencionado o nome do Grupo
Sansey. Todos os prêmios haviam sido entregues. Membros de todos os grupos de
bailarinos e cantores estavam perfilados sobre o palco, muitos em prantos,
por
terem sido contemplados, e a grande maioria, por razões opostas,
aplicáveis aos
membros do Grupo Sansey. A cada anúncio de premiação eu estava preparado, com
minha câmara, apontada naqueles rostos, para poder registrar a euforia desse
grupo que, para mim, havia sido o mais autêntico e rico em detalhes. A minha
emoção de semi-Londrinense havia me enganado, o Grupo Sansey nada havia
conquistado. Frustrado, retornei aos torcedores e expressei a minha
indignação com
relação ao resultado da competição. Eles estavam tristes também, e eu
inconformado,
quando, em meio a toda a gritaria da platéia, o apresentador pediu silencio.
Faltava ainda o maior, a mais importante premiação do festival: o GRANDE
PREMIO.
Ele abriu o envelope e, enquanto retirava lentamente a papeleta oficial
com o nome do vencedor, eis que surgiu a última letra: "Y". Desnecessário é
relatar, descrever os momentos de choro, abraços e beijos que se seguiram,
daqueles que haviam viajado a noite inteira para tamanho espetáculo. Além
do troféu
máximo, o Grupo Sansey recebeu igualmente, um cheque gigante no valor de R$
8.000,00.
Para coroar esse domingo inesquecível, os membros do Grupo Sansey, mesmo
em lágrimas, foram convidados a se apresentar novamente para platéia que
agora, em pé, aplaudia sem cessar.
LONDRINA: TERRA de GENTE IMPORTANTE
Londrina pode e deve se orgulhar com essa conquista histórica e de caráter
internacional do Grupo Sansey. Mas não é só, pois, em meio à toda a
movimentação, conseguimos localizar, ainda que brevemente, tanto dentre os
participantes,
quanto da platéia, alunos e ex-alunos da UEL. Além da Mirian, tivemos
também o
prazer de entrevistar: André Yukio Tsukamoto, (Farmácia 2005); Fernando
Jerep, (Biologia 2004) e no presente, fazendo o mestrado em Zoologia;
Alexandre
Feitosa, (Contábeis 1999); e Aline Kashinoki, (arquitetura 2002). Daí podemos
concluir que, além de artistas consagrados, Londrina possui cidadãos e
cidadãs de
grande preparo intelectual dos quais deve se orgulhar, que levam o nome
dessa grande cidade para horizontes cada vez mais distantes.
Todos já haviam sido fotografados, mas havia ainda uma incógnita: o olhar
daquela bailarina nos parecia muito familiar. Resolvemos mencionar para um
dos
entrevistados algo sobre o Festival do Japão, realizado há duas semanas
também
em São Paulo. Apesar dos esforços e despesas enormes, sugerimos que o Grupo
Sansey, agora mais que nunca, tem o dever de mostrar o seu brilho também
nesse
Festival, no próximo ano. Foi então que, ao falarmos que havíamos
fotografado o
concurso para Miss Festival do Japão, e que Londrina havia sido representada
muitíssimo bem por duas candidatas, quando alguém logo disse que Aline Lumi
Fukuda, eleita Garota Oriental de Londrina, fazia parte do Grupo Sansey.
Pronto!
Estava resolvido o mistério: a dona daquele olhar era realmente uma das mais
belas candidatas a Miss Festival do Japão. Como já mencionamos, a outra
representante de Londrina era igualmente divinal e, a não premiação das
mesmas causou
até um certo mal estar entre os jornalistas ali presentes.
Parabéns a todos os membros do Grupo Sansey, suas famílias e a todo o povo de
Londrina. Diante de tamanha conquista, cremos ser o Grupo Sansey merecedor de
toda a admiração dos habitantes dessa cidade, e do Brasil. Que retornem a São
Paulo mais vezes, e que, logo, consigam a colaboração e apoio externos para
poderem se exibir no Japão. Com certeza, o Brasil será muito bem
representado.
Parabéns aos organizadores, Rede SOHO de Cabeleireiros e da Wella, pois
tamanha mágica e sucesso jamais serão apagadas da memória daqueles que
tiveram a
felicidade de presenciar o 3ª Festival Yosakoi Soran.
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