Quatorze dos 17 membros da banda que se apresenta até domingo no Londrina Matsuri.
Dez músicas diferentes, sendo que três inéditas, estão sendo apresentadas todas as noites no Londrina Matsuri. São mais de duas horas de músicas tocadas ao vivo todos os dias e dançadas por milhares de pessoas, transformando a praça Nishinomiya em uma enorme pista de dança. Os grandes responsáveis por tudo isso são um grupo de 17 jovens, com idades entre 9 e 34 anos, que se revezam durante as três noites para manter a animação do público até altas horas.
São cinco instrumentistas, dividindo-se em baixo, bateria, teclado e duas guitarras, além de cinco vocalistas masculinos e sete femininos. Destes, apenas três instrumentistas não integram o Grupo Sansey.
Ninguém é pago para se apresentar, o grupo recebe apenas uma ajuda de custo. O pagamento, segundo os próprios integrantes, vem em forma de satisfação pessoal. “Para o músico, é muito mais gostoso tocar para um público que participa, sabendo que a gente está fazendo a galera interagir”, justifica Maurício Sakurai, guitarrista da banda.
Maurício participou da criação do matsuri dance, há quatro anos. Ele esclarece que, ali, ninguém tem a música como atividade profissional. São profissionais liberais (dentistas, engenheiros, fisioterapeutas, etc.) e estudantes que se reúnem para ensaiar nas horas vagas, geralmente depois do expediente. Para tocar nos diversos festivais nipônicos realizados no decorrer do ano, a banda começa a se preparar com dois meses de antecedência, culminando com as apresentações nas três noites do Londrina Matsuri. Os encontros são também uma forma de reunir os amigos e mantê-los próximos. “Depois dessa temporada de shows, nós entramos em férias. Afinal, são cinco meses de trabalho”, informa. A banda já tocou inclusive em Curitiba, Presidente Prudente e Apucarana.
A dança da integração
“Quando acaba o matsuri, a gente fica com a sensação de dever cumprido. Nossa intenção é sempre levar o melhor para o público”, conta Michelle Ekuni, que também ajudou a desenvolver a dança. A contar pela reação das pessoas, pode-se dizer que o grupo consegue alcançar seu objetivo com mérito. A imediata aceitação do público foi algo que surpreendeu a todos. “Nós achamos que ia ser mais difícil, que ia levar mais tempo até as pessoas aderirem. Mas sempre pensamos grande. Desde o início tínhamos a intenção de atingir o maior número de pessoas possível.”
O vocalista Anderson Tsumanuma esclarece que o ponto forte do Grupo Sansey é justamente difundir as tradições japonesas e promover a integração entre culturas. Assim, o matsuri dance pode ser considerado o maior expoente das atividades da equipe. “Antigamente, era uma via de mão única, a gente ia participar dos eventos e se integrava aos brasileiros, mas não oferecia nada em troca. Com o matsuri, nós também pudemos mostrar um aspecto da cultura japonesa e trazer os brasileiros para participar. Hoje é uma via de duas mãos, a gente dá e recebe ao mesmo tempo”, avalia.
O fato de a dança atrair desde crianças pequenas até as senhoras acostumadas a dançar de quimono é uma prova de que a integração tem sido total. “É por também que sempre fazemos questão de manter o bon odori tradicional, convidando caravanas até de outras cidades para participar junto”, justificam os integrantes. “Nós estamos não apenas mantendo a cultura, mas também criando, inovando.”
É essa inovação que vem trazendo cada vez mais jovens adeptos da cultura japonesa, tanto entre nikkeis quanto entre os não-descendentes.
Fãs até na Internet
A grande repercussão que o Londrina Matsuri e o matsuri dance vêm tendo junto ao público traz também um maior reconhecimento ao trabalho do Grupo Sansey. Reconhecimento este que chega a gerar algumas histórias engraçadas. “No ano passado, mal o Anderson desceu do palco e o pai de uma menina foi falar com ele, dizendo que ela queria conhecê-lo e pedindo para tirar uma foto”, revelam. “Também tem grupos de amigos que estão em todos os lugares onde nos apresentamos. Eles fazem gracinhas, tentando chamar a nossa atenção, ficam dando tchau”, divertem-se.
Para eles, tudo isso são respostas positivas do público. “O matsuri dance já conseguiu formar um público cativo, e isso é ótimo.” Na internet o grupo também é bastante requisitado. “Tem gente que vem pedir pra gente as músicas, letras e até cifras pelo orkut. Também já perguntaram quem foi que fez a coreografia de determinada música”, contam.
Em um festival com uma proposta diferente, e atraindo um público que quer apenas se divertir, o matsuri dance consegue reunir mais de 30 mil pessoas por dia sem qualquer confusão. “Nunca sai briga. Às vezes a gente tem que parar o show para avisar que encontraram as chaves de um carro, documentos pessoais ou até carteiras. As pessoas são honestas e devolvem”, elogiam.
Quem são os integrantes
Instrumentistas:
Roberto Asso (baixo), Júlio Shimonishi (bateria), Daniel Araboni (teclados),
Maurício Sakurai (guitarra) e Diogo Shiroma (guitarra)
Vocal masculino:
Anderson Tsumanuma, Lauro Sakurai Júnior, Tiago Kimura, Renan Yudji Higashi e Diego Miyabara
Vocal feminino:
Caroline Hatada, Laís Toma, Aline Fukuda, Michelle Ekuni, Renata Sonomura, Vanessa Yuhara e Aline Yoshida
Fonte: Paraná Shimbun / Publicação 15/9/2006
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